Pensar o que aconteceu
Pensadora política judia alemã que escapou do nazismo e passou catorze anos sem pátria, de 1937 a 1951. Dedicou a obra a entender como o totalitarismo foi possível e o que, na vida política, nos protege dele.
Para levar à mesaComo Hannah Arendt pode te ajudar
Para quando você precisa julgar por conta própria e assumir a responsabilidade pelo que faz junto com os outros.
- Certo e errado
"Só cumpri ordens" não basta
Quando você faz parte de algo errado numa organização e se pergunta qual é a sua parte nisso.
Pergunte a elaSe eu só sigo o processo da empresa, a culpa ainda é minha?
→ - Decisões difíceis
Pensar e julgar sozinho
Quando todos à volta concordam, e falta alguém que pare para pensar no que está fazendo.
Pergunte a elaComo não ir no automático quando todo mundo concorda?
→ - Justiça, regras e sociedade
Agir no mundo com os outros
Quando você quer participar, falar em público ou fazer algo que dure além do próprio trabalho.
Pergunte a elaVale a pena me envolver na vida pública ou só cuidar da minha?
→ - Trabalho e dinheiro
Trabalho, obra e ação
Quando a vida virou só ganhar a vida, e você sente falta de fazer algo que deixe marca.
Pergunte a elaMinha vida é só trabalhar e consumir. O que estou deixando de fazer?
→
Deslize para o lado para ver os 4 temas. Toque numa pergunta para abrir a mesa com Hannah Arendt e ela já escrita. Depois é só ajustar ao seu caso.
Königsberg
Johanna Arendt nasceu em 14 de outubro de 1906 em Linden, hoje parte de Hannover, e cresceu em Königsberg, a cidade de Kant, numa família judia secular e culta. Perdeu o pai aos sete anos. Adolescente, já lia Kant e Kierkegaard. Expulsa do colégio por liderar um boicote contra um professor que a ofendera, estudou por conta própria e fez os exames finais um ano antes da própria turma.
Os mestres
Em 1924 foi estudar em Marburgo com Martin Heidegger, o professor de quem toda a Alemanha falava. Os dois viveram um romance que mantiveram em segredo. Depois seguiu para Heidelberg, onde fez o doutorado com Karl Jaspers, que seria seu amigo e interlocutor pela vida inteira, com uma tese sobre o conceito de amor em Santo Agostinho.
A fuga
Com a chegada de Hitler ao poder, em 1933, foi presa pela Gestapo por pesquisar propaganda antissemita para uma organização sionista. Solta depois de oito dias, deixou a Alemanha sem documentos e chegou a Paris. Ali trabalhou ajudando jovens judeus a emigrar para a Palestina e conheceu Heinrich Blücher, com quem se casou em 1940.
Naquele mesmo ano, com a invasão alemã, foi internada como "estrangeira inimiga" no campo de Gurs, no sul da França. Conseguiu sair na confusão da derrota francesa, reencontrou o marido e, por Lisboa, chegou a Nova York em 1941. Tinha perdido a cidadania alemã em 1937. Ficou apátrida até 1951, quando se tornou cidadã americana. A experiência de não pertencer a nenhum Estado, e por isso não ter direito a ter direitos, marcou todo o seu pensamento.
As obras
Origens do Totalitarismo, de 1951, reconstrói o caminho do antissemitismo e do imperialismo até os regimes de Hitler e Stálin, que pela primeira vez tentaram dominar o ser humano por inteiro, pelo terror e pela ideologia. Em A Condição Humana, de 1958, distingue três atividades: o trabalho, que mantém a vida; a obra, que fabrica um mundo durável; e a ação, que acontece entre as pessoas e permite começar algo novo. Para ela, a política é o espaço em que aparecemos uns aos outros e agimos juntos. Em Sobre a Revolução, de 1963, comparou a Revolução Americana e a Francesa e perguntou por que a liberdade que nasce nas revoluções tão raramente consegue durar.
Eichmann em Jerusalém
Em 1961 foi a Jerusalém cobrir para a revista The New Yorker o julgamento de Adolf Eichmann, um dos organizadores da deportação dos judeus da Europa. Esperava encontrar um monstro e encontrou um burocrata comum, que repetia frases feitas e parecia incapaz de pensar do ponto de vista de outra pessoa. No livro de 1963, chamou isso de banalidade do mal. A obra provocou uma polêmica violenta e custou-lhe amizades antigas, mas ela não recuou.
Lecionou em Chicago e na New School, em Nova York. Morreu em 4 de dezembro de 1975, em casa, recebendo amigos. Na máquina de escrever ficou uma folha com o título da última parte de A Vida do Espírito, que deixou inacabada.
Linha do tempo
- Nasce em Linden, em 14 de outubro
- Começa os estudos com Heidegger, em Marburgo
- Publica a tese sobre o amor em Santo Agostinho, orientada por Jaspers
- Presa pela Gestapo; foge para Paris
- Perde a cidadania alemã e fica apátrida
- Internada no campo de Gurs, na França
- Chega a Nova York
- Origens do Totalitarismo; torna-se cidadã americana
- Publica A Condição Humana
- Acompanha o julgamento de Eichmann em Jerusalém
- Eichmann em Jerusalém e a polêmica da banalidade do mal
- Morre em Nova York, em 4 de dezembro
Obras principais
- Origens do Totalitarismo1951
- A Condição Humana1958
- Entre o Passado e o Futuro1961
- Eichmann em Jerusalém1963
- Sobre a Revolução1963
- A Vida do Espíritoinacabada, 1978