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Pensar o que aconteceu

Pensadora política judia alemã que escapou do nazismo e passou catorze anos sem pátria, de 1937 a 1951. Dedicou a obra a entender como o totalitarismo foi possível e o que, na vida política, nos protege dele.

Para levar à mesaComo Hannah Arendt pode te ajudar

Para quando você precisa julgar por conta própria e assumir a responsabilidade pelo que faz junto com os outros.

Deslize para o lado para ver os 4 temas. Toque numa pergunta para abrir a mesa com Hannah Arendt e ela já escrita. Depois é só ajustar ao seu caso.

Königsberg

Johanna Arendt nasceu em 14 de outubro de 1906 em Linden, hoje parte de Hannover, e cresceu em Königsberg, a cidade de Kant, numa família judia secular e culta. Perdeu o pai aos sete anos. Adolescente, já lia Kant e Kierkegaard. Expulsa do colégio por liderar um boicote contra um professor que a ofendera, estudou por conta própria e fez os exames finais um ano antes da própria turma.

Os mestres

Em 1924 foi estudar em Marburgo com Martin Heidegger, o professor de quem toda a Alemanha falava. Os dois viveram um romance que mantiveram em segredo. Depois seguiu para Heidelberg, onde fez o doutorado com Karl Jaspers, que seria seu amigo e interlocutor pela vida inteira, com uma tese sobre o conceito de amor em Santo Agostinho.

A fuga

Com a chegada de Hitler ao poder, em 1933, foi presa pela Gestapo por pesquisar propaganda antissemita para uma organização sionista. Solta depois de oito dias, deixou a Alemanha sem documentos e chegou a Paris. Ali trabalhou ajudando jovens judeus a emigrar para a Palestina e conheceu Heinrich Blücher, com quem se casou em 1940.

Naquele mesmo ano, com a invasão alemã, foi internada como "estrangeira inimiga" no campo de Gurs, no sul da França. Conseguiu sair na confusão da derrota francesa, reencontrou o marido e, por Lisboa, chegou a Nova York em 1941. Tinha perdido a cidadania alemã em 1937. Ficou apátrida até 1951, quando se tornou cidadã americana. A experiência de não pertencer a nenhum Estado, e por isso não ter direito a ter direitos, marcou todo o seu pensamento.

As obras

Origens do Totalitarismo, de 1951, reconstrói o caminho do antissemitismo e do imperialismo até os regimes de Hitler e Stálin, que pela primeira vez tentaram dominar o ser humano por inteiro, pelo terror e pela ideologia. Em A Condição Humana, de 1958, distingue três atividades: o trabalho, que mantém a vida; a obra, que fabrica um mundo durável; e a ação, que acontece entre as pessoas e permite começar algo novo. Para ela, a política é o espaço em que aparecemos uns aos outros e agimos juntos. Em Sobre a Revolução, de 1963, comparou a Revolução Americana e a Francesa e perguntou por que a liberdade que nasce nas revoluções tão raramente consegue durar.

Eichmann em Jerusalém

Em 1961 foi a Jerusalém cobrir para a revista The New Yorker o julgamento de Adolf Eichmann, um dos organizadores da deportação dos judeus da Europa. Esperava encontrar um monstro e encontrou um burocrata comum, que repetia frases feitas e parecia incapaz de pensar do ponto de vista de outra pessoa. No livro de 1963, chamou isso de banalidade do mal. A obra provocou uma polêmica violenta e custou-lhe amizades antigas, mas ela não recuou.

Lecionou em Chicago e na New School, em Nova York. Morreu em 4 de dezembro de 1975, em casa, recebendo amigos. Na máquina de escrever ficou uma folha com o título da última parte de A Vida do Espírito, que deixou inacabada.

Linha do tempo

  1. Nasce em Linden, em 14 de outubro
  2. Começa os estudos com Heidegger, em Marburgo
  3. Publica a tese sobre o amor em Santo Agostinho, orientada por Jaspers
  4. Presa pela Gestapo; foge para Paris
  5. Perde a cidadania alemã e fica apátrida
  6. Internada no campo de Gurs, na França
  7. Chega a Nova York
  8. Origens do Totalitarismo; torna-se cidadã americana
  9. Publica A Condição Humana
  10. Acompanha o julgamento de Eichmann em Jerusalém
  11. Eichmann em Jerusalém e a polêmica da banalidade do mal
  12. Morre em Nova York, em 4 de dezembro

Obras principais

  • Origens do Totalitarismo1951
  • A Condição Humana1958
  • Entre o Passado e o Futuro1961
  • Eichmann em Jerusalém1963
  • Sobre a Revolução1963
  • A Vida do Espíritoinacabada, 1978
Echoes of the Agora
Hannah Arendt — Pensadores da Ágora