O homem que fazia perguntas
Nunca escreveu uma linha e, mesmo assim, mudou o rumo da filosofia. Passou a vida nas ruas de Atenas perguntando às pessoas o que elas queriam dizer com as palavras que usavam, e foi condenado à morte por isso.
Para levar à mesaComo Sócrates pode te ajudar
Para quando você precisa pensar por conta própria, sob pressão, e separar o que sabe do que só parece saber.
- Certo e errado
Manter a integridade sob pressão
Quando chefe, família ou grupo pressionam você a fazer o que considera errado, e todos já aceitaram.
Pergunte a eleTodo mundo na equipe aceitou maquiar os números. Eu também deveria?
→ - Comunicação e persuasão
Desconfiar de quem fala bonito
Quando um discurso brilhante, um especialista ou um vendedor convincente pede a sua confiança.
Pergunte a eleComo sei se um consultor entende mesmo do que fala?
→ - Justiça, regras e sociedade
Cumprir ou romper uma regra
Quando você discorda de uma decisão, de um combinado ou de uma lei e pensa em simplesmente não cumprir.
Pergunte a eleDiscordo de uma decisão da empresa. Devo cumprir mesmo assim?
→ - Medo, perdas e morte
Encarar o medo da morte
Quando o medo de morrer, de envelhecer ou de perder alguém começa a decidir por você.
Pergunte a eleComo não deixar o medo da morte comandar a minha vida?
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Deslize para o lado para ver os 4 temas. Toque numa pergunta para abrir a mesa com Sócrates e ela já escrita. Depois é só ajustar ao seu caso.
Um ateniense comum
Nasceu por volta de 470 a.C. no demo de Alopece, em Atenas, filho de Sofronisco, que trabalhava a pedra, e de Fenarete, parteira. Anos depois, ele diria que fazia o mesmo ofício da mãe: não tinha ideias para dar, ajudava os outros a dar à luz as que já carregavam.
Cresceu na Atenas do século de ouro: a democracia de Péricles, o Partenon subindo na Acrópole, as tragédias no teatro. Como todo cidadão, foi à guerra. Lutou como hoplita no Peloponeso, em Potideia, Délio e Anfípolis, e ficou conhecido por andar descalço no gelo e por manter a calma na retirada. Casou-se com Xantipa e teve três filhos.
O oráculo e a missão
Um amigo de juventude, Querefonte, foi a Delfos e perguntou ao oráculo se havia alguém mais sábio do que Sócrates. A resposta foi que não. Intrigado, Sócrates saiu à procura de quem fosse mais sábio: conversou com políticos, poetas e artesãos de fama. Descobriu que todos acreditavam saber o que não sabiam. Concluiu que a única vantagem dele era saber que não sabia.
Fez disso uma missão. Passou a examinar a si mesmo e aos outros, na praça, no ginásio, nas casas dos amigos, sem cobrar nada, ao contrário dos sofistas. Ficou pobre, ganhou admiradores entre os jovens e inimigos entre os poderosos. Dizia ouvir, desde criança, um sinal divino, o daimônion: uma voz que nunca lhe mandava fazer nada, só o detinha quando ia errar.
O jeito de perguntar
Sócrates não dava respostas. Pegava uma palavra importante, como justiça, coragem ou piedade, pedia uma definição e a testava com casos concretos, o sapateiro, o médico, o piloto do navio, até a contradição aparecer. Muitos saíam irritados. O objetivo era outro: só quem percebe que não sabe começa a procurar de verdade.
Por trás das perguntas havia convicções firmes. Ninguém faz o mal sabendo que é mal; o erro nasce da ignorância. E cuidar da alma, ser justo e pensar bem, vale mais do que dinheiro, fama ou a própria vida.
Coerente até o fim
Duas vezes enfrentou o poder. No Conselho da cidade, foi o único a votar contra o julgamento coletivo e ilegal dos generais da batalha das Arginusas. Anos depois, sob a tirania dos Trinta, recusou a ordem de buscar Leão de Salamina para ser executado.
Em 399 a.C., com cerca de setenta anos, foi acusado de não reconhecer os deuses da cidade e de corromper a juventude. Na defesa, que Platão registrou na Apologia, não pediu clemência nem levou os filhos para comover os juízes: disse que uma vida sem exame não vale a pena ser vivida. Foi condenado. Na prisão, recusou o plano dos amigos para fugir, como se lê no Críton, porque não queria desobedecer às leis que o tinham formado. Cumpriu a sentença bebendo cicuta.
O que ficou
Tudo o que sabemos dele vem de outros: sobretudo de Platão, seu discípulo, e também de Xenofonte e da comédia As Nuvens, de Aristófanes, que o ridicularizou. Os filósofos que vieram antes dele ficaram conhecidos como pré-socráticos, porque com Sócrates a filosofia deixou de olhar só para o cosmos e passou a perguntar como se deve viver.
Linha do tempo
- Nasce em Alopece, Atenas
- Luta no cerco de Potideia
- Combate em Délio, na retirada ateniense
- Vota sozinho contra o julgamento ilegal dos generais
- Recusa a ordem dos Trinta Tiranos
- Julgado, condenado e executado em Atenas
Escritos
- Não deixou nada escritoSua voz chega por Platão, Xenofonte e Aristófanes