Todos os pensadores

O homem que fazia perguntas

Nunca escreveu uma linha e, mesmo assim, mudou o rumo da filosofia. Passou a vida nas ruas de Atenas perguntando às pessoas o que elas queriam dizer com as palavras que usavam, e foi condenado à morte por isso.

Para levar à mesaComo Sócrates pode te ajudar

Para quando você precisa pensar por conta própria, sob pressão, e separar o que sabe do que só parece saber.

Deslize para o lado para ver os 4 temas. Toque numa pergunta para abrir a mesa com Sócrates e ela já escrita. Depois é só ajustar ao seu caso.

Um ateniense comum

Nasceu por volta de 470 a.C. no demo de Alopece, em Atenas, filho de Sofronisco, que trabalhava a pedra, e de Fenarete, parteira. Anos depois, ele diria que fazia o mesmo ofício da mãe: não tinha ideias para dar, ajudava os outros a dar à luz as que já carregavam.

Cresceu na Atenas do século de ouro: a democracia de Péricles, o Partenon subindo na Acrópole, as tragédias no teatro. Como todo cidadão, foi à guerra. Lutou como hoplita no Peloponeso, em Potideia, Délio e Anfípolis, e ficou conhecido por andar descalço no gelo e por manter a calma na retirada. Casou-se com Xantipa e teve três filhos.

O oráculo e a missão

Um amigo de juventude, Querefonte, foi a Delfos e perguntou ao oráculo se havia alguém mais sábio do que Sócrates. A resposta foi que não. Intrigado, Sócrates saiu à procura de quem fosse mais sábio: conversou com políticos, poetas e artesãos de fama. Descobriu que todos acreditavam saber o que não sabiam. Concluiu que a única vantagem dele era saber que não sabia.

Fez disso uma missão. Passou a examinar a si mesmo e aos outros, na praça, no ginásio, nas casas dos amigos, sem cobrar nada, ao contrário dos sofistas. Ficou pobre, ganhou admiradores entre os jovens e inimigos entre os poderosos. Dizia ouvir, desde criança, um sinal divino, o daimônion: uma voz que nunca lhe mandava fazer nada, só o detinha quando ia errar.

O jeito de perguntar

Sócrates não dava respostas. Pegava uma palavra importante, como justiça, coragem ou piedade, pedia uma definição e a testava com casos concretos, o sapateiro, o médico, o piloto do navio, até a contradição aparecer. Muitos saíam irritados. O objetivo era outro: só quem percebe que não sabe começa a procurar de verdade.

Por trás das perguntas havia convicções firmes. Ninguém faz o mal sabendo que é mal; o erro nasce da ignorância. E cuidar da alma, ser justo e pensar bem, vale mais do que dinheiro, fama ou a própria vida.

Coerente até o fim

Duas vezes enfrentou o poder. No Conselho da cidade, foi o único a votar contra o julgamento coletivo e ilegal dos generais da batalha das Arginusas. Anos depois, sob a tirania dos Trinta, recusou a ordem de buscar Leão de Salamina para ser executado.

Em 399 a.C., com cerca de setenta anos, foi acusado de não reconhecer os deuses da cidade e de corromper a juventude. Na defesa, que Platão registrou na Apologia, não pediu clemência nem levou os filhos para comover os juízes: disse que uma vida sem exame não vale a pena ser vivida. Foi condenado. Na prisão, recusou o plano dos amigos para fugir, como se lê no Críton, porque não queria desobedecer às leis que o tinham formado. Cumpriu a sentença bebendo cicuta.

O que ficou

Tudo o que sabemos dele vem de outros: sobretudo de Platão, seu discípulo, e também de Xenofonte e da comédia As Nuvens, de Aristófanes, que o ridicularizou. Os filósofos que vieram antes dele ficaram conhecidos como pré-socráticos, porque com Sócrates a filosofia deixou de olhar só para o cosmos e passou a perguntar como se deve viver.

Linha do tempo

  1. Nasce em Alopece, Atenas
  2. Luta no cerco de Potideia
  3. Combate em Délio, na retirada ateniense
  4. Vota sozinho contra o julgamento ilegal dos generais
  5. Recusa a ordem dos Trinta Tiranos
  6. Julgado, condenado e executado em Atenas

Escritos

  • Não deixou nada escritoSua voz chega por Platão, Xenofonte e Aristófanes
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