O medo e a ordem
Nasceu no ano da Armada espanhola e viveu a guerra civil inglesa de perto. Perguntou por que os homens aceitam obedecer e respondeu com o Leviatã, o retrato de um Estado forte o bastante para acabar com o medo de todos contra todos.
Para levar à mesaComo Hobbes pode te ajudar
Para quando o conflito ameaça tudo e você precisa pensar em ordem, autoridade e acordos que se cumprem.
- Justiça, regras e sociedade
Por que obedecer a alguém
Quando você se pergunta de onde vem a autoridade de quem manda, e o que se ganha ao aceitá-la.
Pergunte a elePor que eu deveria aceitar regras com as quais não concordo?
→ - Liderança e poder
Ordem no meio do conflito
Quando um grupo, uma família ou uma empresa vive em disputa, e ninguém confia em ninguém.
Pergunte a eleMinha equipe vive em guerra interna. Como trazer ordem?
→ - Medo, perdas e morte
O medo como motor
Quando o medo de perder o que tem passa a guiar as suas escolhas e as dos outros.
Pergunte a eleAté que ponto é o medo que está decidindo por mim?
→ - Certo e errado
Acordos e promessas
Quando um contrato ou um combinado ficou desvantajoso, e você pensa em não cumprir.
Pergunte a eleSe o outro lado não cumpre o combinado, eu ainda devo cumprir?
→
Deslize para o lado para ver os 4 temas. Toque numa pergunta para abrir a mesa com Hobbes e ela já escrita. Depois é só ajustar ao seu caso.
Nascido com o medo
Thomas Hobbes nasceu em 5 de abril de 1588 em Westport, perto de Malmesbury, no sul da Inglaterra. Contava que a mãe entrou em trabalho de parto antes da hora, assustada com a notícia de que a Armada espanhola se aproximava da costa, e que por isso ele e o medo tinham nascido gêmeos. O pai, vigário de pouca instrução, se meteu numa briga na porta da igreja e sumiu da cidade. Thomas foi criado por um tio rico, que pagou seus estudos.
Aos catorze anos já traduzia Eurípides do grego para o latim. Estudou em Oxford, onde achou a filosofia escolástica que ensinavam tão inútil quanto aborrecida.
A casa dos Cavendish
Em 1608 tornou-se preceptor do filho de William Cavendish, futuro conde de Devonshire, e ficou ligado a essa família pelo resto da vida, como professor, secretário e amigo. Com os jovens que acompanhava, viajou pela França e pela Itália. Traduziu Tucídides para o inglês, em parte para mostrar aos compatriotas os perigos da democracia e da guerra entre facções.
Por volta dos quarenta anos, numa biblioteca, encontrou aberto um livro de Euclides. Leu uma proposição, achou impossível, seguiu as demonstrações para trás até se convencer. Encantou-se com o método: partir de definições claras e chegar a conclusões que ninguém pode negar. Quis fazer o mesmo com a política. Em Florença, em 1636, visitou Galileu.
O exílio e o Leviatã
Em 1640, com o rei e o Parlamento à beira da guerra, Hobbes, conhecido por defender a autoridade do soberano, fugiu para Paris, "o primeiro de todos a fugir", como dizia. Ficou onze anos. Ali conviveu com Mersenne e Gassendi, discutiu com Descartes e deu aulas de matemática ao jovem príncipe Carlos, exilado como ele.
Em 1651 publicou em Londres o Leviatã. O livro imagina os homens antes de qualquer governo: iguais, desconfiados e com medo uns dos outros, numa guerra de todos contra todos em que a vida seria solitária, pobre, sórdida, brutal e curta. Para escapar disso, cada um abre mão do direito de fazer tudo e o entrega a um soberano, que concentra a força de todos. O Estado é esse gigante artificial, e o que o justifica é a paz que garante.
Velho e incômodo
O livro desagradou a quase todos: os monarquistas não gostaram de ver o poder do rei fundado num contrato, e não na vontade de Deus; o clero viu nele um ateu. Hobbes voltou à Inglaterra ainda em 1651 e se submeteu ao governo de Cromwell. Com a restauração da monarquia, em 1660, o antigo aluno, agora Carlos II, deu-lhe uma pensão e o protegeu. Mesmo assim, em 1666 a Câmara dos Comuns investigou o Leviatã como livro ateu, e ele ficou proibido de publicar sobre política e religião na Inglaterra.
Continuou trabalhando até o fim. Aos oitenta e poucos anos traduziu a Ilíada e a Odisseia. Morreu em 4 de dezembro de 1679, aos 91 anos, em Hardwick Hall, uma das casas dos Cavendish. Em 1683, a Universidade de Oxford mandou queimar seus livros.
Linha do tempo
- Nasce em Westport, em 5 de abril
- Torna-se preceptor da família Cavendish
- Publica a tradução de Tucídides
- Foge para Paris às vésperas da guerra civil
- Publica o Leviatã e volta à Inglaterra
- O Parlamento investiga o Leviatã como livro ateu
- Morre em Hardwick Hall, em 4 de dezembro
Obras principais
- Os Elementos da Lei Natural e Política1640
- Do Cidadão (De Cive)1642
- Leviatã1651
- Do Corpo (De Corpore)1655
- Behemothescrito c. 1668