O secretário que olhou o poder de frente
Funcionário da República de Florença por catorze anos, perdeu tudo quando os Médici voltaram ao poder. Afastado da política, escreveu o livro mais famoso, e mais mal-entendido, sobre o poder.
Para levar à mesaComo Maquiavel pode te ajudar
Para quando você precisa lidar com o poder como ele é: assumir, decidir e se manter de pé.
- Liderança e poder
Assumir e se firmar no comando
Quando você assume um cargo, um negócio ou uma equipe e precisa ganhar legitimidade.
Pergunte a eleVirei chefe dos meus antigos colegas. Como me firmar?
→ - Decisões difíceis
Decisões duras e impopulares
Quando é preciso cortar, demitir ou romper, causando o menor dano duradouro possível.
Pergunte a elePreciso fazer cortes na equipe. Faço tudo de uma vez ou aos poucos?
→ - Liderança e poder
Ser amado ou ser respeitado
Quando você hesita entre agradar e manter a autoridade, ou se preocupa com a imagem que passa.
Pergunte a eleÉ melhor ser temido ou amado pela equipe?
→ - Carreira e ambição
Bajuladores, rivais e crises
Quando você só ouve elogios, desconfia de quem está perto ou precisa se preparar para o imprevisível.
Pergunte a eleComo saber quem me diz a verdade e quem só me bajula?
→
Deslize para o lado para ver os 4 temas. Toque numa pergunta para abrir a mesa com Maquiavel e ela já escrita. Depois é só ajustar ao seu caso.
A Florença dos Médici
Niccolò di Bernardo dei Machiavelli nasceu em Florença em 3 de maio de 1469, numa família de nome antigo e pouco dinheiro. O pai, Bernardo, era advogado e tinha paixão pelos clássicos; em casa havia livros, e Niccolò leu cedo os historiadores romanos, Tito Lívio acima de todos.
Cresceu na Florença de Lourenço, o Magnífico, a cidade de Botticelli e de Leonardo. Tinha 25 anos quando os Médici foram expulsos, em 1494, e viu de perto o governo do frade Savonarola, que pregava contra a vaidade da cidade e acabou condenado e queimado na praça, em 1498. Dali tirou uma lição que nunca esqueceu: um profeta desarmado não se sustenta.
Catorze anos no serviço
Semanas depois da queda de Savonarola, em 1498, foi nomeado secretário da Segunda Chancelaria da República. Durante catorze anos escreveu relatórios, despachou cartas e cumpriu missões diplomáticas junto ao rei da França, ao imperador, ao papa e a César Bórgia, cuja audácia e frieza observou de perto e descreveria depois.
Convencido de que exércitos de aluguel não defendem ninguém, convenceu a cidade a formar uma milícia de cidadãos. Foi essa milícia que ajudou Florença a retomar Pisa, em 1509, o seu maior triunfo como homem de Estado.
A queda
Em 1512 a milícia foi destroçada em Prato pelas tropas espanholas, a república caiu e os Médici voltaram. Maquiavel perdeu o cargo. No começo de 1513, suspeito de participar de uma conspiração contra os novos senhores, foi preso e torturado. Saiu livre na anistia que se seguiu à eleição de um Médici como papa, Leão X, e retirou-se para a pequena propriedade da família em Sant'Andrea in Percussina, perto de San Casciano.
Conversas com os antigos
Numa carta famosa ao amigo Francesco Vettori, de dezembro de 1513, conta como eram seus dias: armadilhas para pássaros, conversa com lenhadores, jogo na taverna. À noite, tirava a roupa suja do dia, vestia trajes de corte e entrava no escritório para conversar com os antigos através dos livros. Dessas conversas saiu O Príncipe.
O livro fala do poder como ele funciona, não como deveria funcionar. Quem governa enfrenta a fortuna, a parte do mundo que não controlamos, e precisa de virtù, a energia e o senso de ocasião para agir. Nos Discursos sobre a primeira década de Tito Lívio aparece a outra face de Maquiavel: o admirador das repúblicas, da liberdade e do conflito entre o povo e os grandes, que, bem canalizado, fortalece a cidade.
Os últimos anos
Escreveu também a comédia A Mandrágora, um tratado sobre A Arte da Guerra e, por encomenda dos próprios Médici, as Histórias Florentinas. Em 1527, quando Florença expulsou mais uma vez os Médici e restaurou a república, ele passou a ser visto como homem deles e não recuperou o antigo posto. Morreu semanas depois, em 21 de junho.
O Príncipe só foi impresso em 1532, cinco anos após a sua morte. Em 1559 entraria no índice de livros proibidos da Igreja, e o adjetivo "maquiavélico" acabaria designando o que ele descreveu, não o que ele defendeu.
Linha do tempo
- Nasce em Florença, em 3 de maio
- Torna-se secretário da Segunda Chancelaria
- Missão junto a César Bórgia
- A milícia florentina retoma Pisa
- Queda da república; volta dos Médici
- Prisão, anistia e exílio no campo; escreve O Príncipe
- Morre em Florença, em 21 de junho
Obras principais
- O Príncipe1513, impresso em 1532
- Discursos sobre a primeira década de Tito Lívioc. 1513 – 1519
- A Mandrágorac. 1518
- A Arte da Guerra1521
- Histórias Florentinas1525