Todos os pensadores

O filósofo que nunca saiu de casa

Viveu quase oitenta anos sem se afastar da cidade natal e, de lá, mudou o modo como o Ocidente pensa o conhecimento, o dever e a liberdade. Perguntou o que podemos saber, o que devemos fazer e o que nos é permitido esperar.

Para levar à mesaComo Kant pode te ajudar

Para quando você quer agir por princípio, tratar as pessoas com dignidade e ousar pensar por si.

Deslize para o lado para ver os 4 temas. Toque numa pergunta para abrir a mesa com Kant e ela já escrita. Depois é só ajustar ao seu caso.

O filho do seleiro

Immanuel Kant nasceu em 22 de abril de 1724 em Königsberg, cidade portuária da Prússia Oriental, hoje Kaliningrado, na Rússia. Era o quarto de nove filhos de um mestre seleiro e de uma mãe pietista, que o levava para observar as plantas e o céu e lhe ensinou uma fé rigorosa e interior. A família era pobre, e o pastor da comunidade ajudou a pagar os estudos do menino.

Estudou no Collegium Fridericianum, onde a disciplina religiosa o marcou mais pelo cansaço do que pela devoção. Aos dezesseis anos entrou na Universidade de Königsberg e se apaixonou pela física de Newton.

Anos de espera

A morte do pai, em 1746, o obrigou a deixar a universidade. Durante quase oito anos trabalhou como preceptor dos filhos de famílias da região. Voltou em 1755, como professor sem salário fixo, pago pelos alunos que se inscreviam. Dava até vinte horas de aula por semana: lógica, metafísica, física, geografia, antropologia. Naquele mesmo ano publicou uma teoria sobre a origem do sistema solar a partir de uma nuvem de matéria em rotação, ideia que Laplace retomaria décadas depois.

Era um professor brilhante e um conviva disputado, elegante e espirituoso. Só em 1770, aos 46 anos, conseguiu a cátedra de lógica e metafísica.

O silêncio de onze anos

Depois da nomeação, quase não publicou nada por mais de uma década. Contou que a leitura de David Hume o havia despertado de um sono dogmático: se tudo o que sabemos vem da experiência, como ter certeza de qualquer lei universal? Passou esses anos construindo a resposta.

Ela veio em 1781, com a Crítica da Razão Pura. Kant propôs inverter a pergunta: em vez de supor que o conhecimento se regula pelos objetos, supor que os objetos, tal como nos aparecem, se regulam pelas formas da nossa mente, como o espaço, o tempo e a causalidade. Chamou isso de sua revolução copernicana. A consequência foi um limite: conhecemos o mundo como ele nos aparece, nunca como é em si.

O dever e a liberdade

Vieram então, uma atrás da outra, as obras que formam o núcleo do seu pensamento. Em 1784 respondeu num jornal à pergunta "o que é o Esclarecimento?" com um convite: ousar servir-se do próprio entendimento. Na Fundamentação da Metafísica dos Costumes e na Crítica da Razão Prática fundou a moral no dever e no imperativo categórico: agir só segundo a regra que você poderia querer que valesse para todos, e tratar cada pessoa sempre como um fim, nunca apenas como um meio. A Crítica da Faculdade de Julgar tratou do belo e do sublime.

Em 1794, depois de um livro sobre a religião, o rei Frederico Guilherme II o censurou, e Kant prometeu não escrever mais sobre o tema enquanto vivesse o monarca. No ano seguinte publicou À Paz Perpétua, um projeto de federação entre Estados livres para acabar com as guerras.

O fim

Nunca se casou e quase nunca saiu de Königsberg, de onde dizia conhecer o mundo pelos viajantes que passavam pelo porto. Nos últimos anos a memória e a vista falharam aos poucos. Morreu em 12 de fevereiro de 1804. Na placa junto ao seu túmulo está a frase mais conhecida da Crítica da Razão Prática: duas coisas enchem a mente de admiração, o céu estrelado acima de mim e a lei moral dentro de mim.

Linha do tempo

  1. Nasce em Königsberg, em 22 de abril
  2. Entra na Universidade de Königsberg
  3. Começa a lecionar; publica sua teoria do céu
  4. Torna-se professor de lógica e metafísica
  5. Publica a Crítica da Razão Pura
  6. Fundamentação da Metafísica dos Costumes
  7. Censurado pelo rei por escrever sobre religião
  8. Morre em Königsberg, em 12 de fevereiro

Obras principais

  • Crítica da Razão Pura1781
  • O que é o Esclarecimento?1784
  • Fundamentação da Metafísica dos Costumes1785
  • Crítica da Razão Prática1788
  • Crítica da Faculdade de Julgar1790
  • À Paz Perpétua1795
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