O filósofo que nunca saiu de casa
Viveu quase oitenta anos sem se afastar da cidade natal e, de lá, mudou o modo como o Ocidente pensa o conhecimento, o dever e a liberdade. Perguntou o que podemos saber, o que devemos fazer e o que nos é permitido esperar.
Para levar à mesaComo Kant pode te ajudar
Para quando você quer agir por princípio, tratar as pessoas com dignidade e ousar pensar por si.
- Certo e errado
Agir por princípio
Quando uma mentira pequena ou uma exceção parece resolver tudo, e você se pergunta se pode.
Pergunte a eleUma mentira para proteger alguém é aceitável?
→ - Amor e amizade
Pessoas não são meios
Quando você desconfia de que está usando alguém, ou de que está sendo usado.
Pergunte a eleEstou usando as pessoas para chegar aonde quero?
→ - Liberdade e autonomia
Ousar pensar por conta própria
Quando é mais confortável deixar que chefes, especialistas ou a tradição pensem por você.
Pergunte a eleComo deixar de depender da aprovação de quem manda?
→ - Decisões difíceis
Dever ou vontade
Quando o que você quer fazer e o que acha que deve fazer puxam para lados opostos.
Pergunte a eleDevo seguir o que quero ou o que acho que é meu dever?
→
Deslize para o lado para ver os 4 temas. Toque numa pergunta para abrir a mesa com Kant e ela já escrita. Depois é só ajustar ao seu caso.
O filho do seleiro
Immanuel Kant nasceu em 22 de abril de 1724 em Königsberg, cidade portuária da Prússia Oriental, hoje Kaliningrado, na Rússia. Era o quarto de nove filhos de um mestre seleiro e de uma mãe pietista, que o levava para observar as plantas e o céu e lhe ensinou uma fé rigorosa e interior. A família era pobre, e o pastor da comunidade ajudou a pagar os estudos do menino.
Estudou no Collegium Fridericianum, onde a disciplina religiosa o marcou mais pelo cansaço do que pela devoção. Aos dezesseis anos entrou na Universidade de Königsberg e se apaixonou pela física de Newton.
Anos de espera
A morte do pai, em 1746, o obrigou a deixar a universidade. Durante quase oito anos trabalhou como preceptor dos filhos de famílias da região. Voltou em 1755, como professor sem salário fixo, pago pelos alunos que se inscreviam. Dava até vinte horas de aula por semana: lógica, metafísica, física, geografia, antropologia. Naquele mesmo ano publicou uma teoria sobre a origem do sistema solar a partir de uma nuvem de matéria em rotação, ideia que Laplace retomaria décadas depois.
Era um professor brilhante e um conviva disputado, elegante e espirituoso. Só em 1770, aos 46 anos, conseguiu a cátedra de lógica e metafísica.
O silêncio de onze anos
Depois da nomeação, quase não publicou nada por mais de uma década. Contou que a leitura de David Hume o havia despertado de um sono dogmático: se tudo o que sabemos vem da experiência, como ter certeza de qualquer lei universal? Passou esses anos construindo a resposta.
Ela veio em 1781, com a Crítica da Razão Pura. Kant propôs inverter a pergunta: em vez de supor que o conhecimento se regula pelos objetos, supor que os objetos, tal como nos aparecem, se regulam pelas formas da nossa mente, como o espaço, o tempo e a causalidade. Chamou isso de sua revolução copernicana. A consequência foi um limite: conhecemos o mundo como ele nos aparece, nunca como é em si.
O dever e a liberdade
Vieram então, uma atrás da outra, as obras que formam o núcleo do seu pensamento. Em 1784 respondeu num jornal à pergunta "o que é o Esclarecimento?" com um convite: ousar servir-se do próprio entendimento. Na Fundamentação da Metafísica dos Costumes e na Crítica da Razão Prática fundou a moral no dever e no imperativo categórico: agir só segundo a regra que você poderia querer que valesse para todos, e tratar cada pessoa sempre como um fim, nunca apenas como um meio. A Crítica da Faculdade de Julgar tratou do belo e do sublime.
Em 1794, depois de um livro sobre a religião, o rei Frederico Guilherme II o censurou, e Kant prometeu não escrever mais sobre o tema enquanto vivesse o monarca. No ano seguinte publicou À Paz Perpétua, um projeto de federação entre Estados livres para acabar com as guerras.
O fim
Nunca se casou e quase nunca saiu de Königsberg, de onde dizia conhecer o mundo pelos viajantes que passavam pelo porto. Nos últimos anos a memória e a vista falharam aos poucos. Morreu em 12 de fevereiro de 1804. Na placa junto ao seu túmulo está a frase mais conhecida da Crítica da Razão Prática: duas coisas enchem a mente de admiração, o céu estrelado acima de mim e a lei moral dentro de mim.
Linha do tempo
- Nasce em Königsberg, em 22 de abril
- Entra na Universidade de Königsberg
- Começa a lecionar; publica sua teoria do céu
- Torna-se professor de lógica e metafísica
- Publica a Crítica da Razão Pura
- Fundamentação da Metafísica dos Costumes
- Censurado pelo rei por escrever sobre religião
- Morre em Königsberg, em 12 de fevereiro
Obras principais
- Crítica da Razão Pura1781
- O que é o Esclarecimento?1784
- Fundamentação da Metafísica dos Costumes1785
- Crítica da Razão Prática1788
- Crítica da Faculdade de Julgar1790
- À Paz Perpétua1795