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O defensor da liberdade de discordar

Educado pelo pai como um experimento, lia grego aos três anos. Passou por uma crise aos vinte, descobriu na poesia o que lhe faltava e se tornou o grande defensor da liberdade individual e da igualdade entre homens e mulheres.

Para levar à mesaComo Stuart Mill pode te ajudar

Para quando você precisa defender a liberdade, a sua e a dos outros, e pesar as consequências do que faz.

Deslize para o lado para ver os 4 temas. Toque numa pergunta para abrir a mesa com Stuart Mill e ela já escrita. Depois é só ajustar ao seu caso.

Uma infância de experimento

John Stuart Mill nasceu em Londres em 20 de maio de 1806, o mais velho dos nove filhos de James Mill, historiador e economista, amigo íntimo do filósofo Jeremy Bentham. O pai decidiu educá-lo em casa e fazer dele um defensor das ideias de reforma do grupo.

Aos três anos John começou o grego; aos oito, o latim. Antes dos treze já tinha lido boa parte dos clássicos, estudado lógica e economia política, e ensinava os irmãos mais novos. Não frequentou escola nem universidade. Escreveu depois, na Autobiografia, que nunca foi criança como as outras.

A crise

Aos vinte anos, em 1826, caiu numa depressão profunda. Perguntou a si mesmo se seria feliz caso todas as reformas que defendia se realizassem de uma vez, e a resposta honesta foi que não. Durante meses nada lhe dava prazer.

Saiu da crise lendo poesia, sobretudo Wordsworth, e entendeu que o cultivo dos sentimentos importa tanto quanto o da razão. A partir daí reformou por dentro o utilitarismo que herdara do pai e de Bentham: a felicidade continuava sendo a medida, mas havia prazeres mais altos que outros, e a vida interior contava.

Harriet

De 1823 a 1858 trabalhou na Companhia das Índias Orientais, em Londres, onde chegou a um posto de chefia. Em 1830 conheceu Harriet Taylor, uma mulher casada, inteligente e independente. Viveram durante vinte anos uma amizade intelectual intensa, que escandalizou a sociedade londrina. Casaram-se em 1851, dois anos depois da morte do marido dela. Mill dizia que boa parte de suas obras era fruto comum dos dois. Harriet morreu em Avignon, em 1858, durante uma viagem.

As ideias

Sobre a Liberdade, de 1859, dedicado a Harriet, defende que a sociedade só pode limitar a liberdade de alguém para evitar dano a outras pessoas. E mais: calar uma opinião é sempre uma perda, porque ou ela é verdadeira, ou contém parte da verdade, ou, sendo falsa, obriga a verdade a se explicar de novo. Em O Utilitarismo argumentou que a ação certa é a que promove a felicidade de todos os afetados. Em A Sujeição das Mulheres, de 1869, sustentou que a subordinação legal das mulheres era um erro e um atraso para a humanidade inteira.

No Parlamento

Em 1865 foi eleito deputado por Westminster, depois de avisar aos eleitores que não faria campanha nem defenderia interesses locais. Em 1867 propôs que o voto fosse estendido às mulheres. A proposta foi derrotada, mas foi a primeira desse tipo apresentada ao Parlamento britânico. Perdeu a reeleição no ano seguinte.

Passou os últimos anos em Avignon, numa casa perto do túmulo de Harriet, com a enteada Helen Taylor, que continuou o trabalho dos dois. Morreu lá em 7 de maio de 1873.

Linha do tempo

  1. Nasce em Londres, em 20 de maio
  2. Entra na Companhia das Índias Orientais
  3. A crise que muda sua filosofia
  4. Conhece Harriet Taylor
  5. Publica Sobre a Liberdade
  6. Eleito deputado por Westminster
  7. Propõe o voto feminino no Parlamento
  8. Morre em Avignon, em 7 de maio

Obras principais

  • Sistema de Lógica1843
  • Princípios de Economia Política1848
  • Sobre a Liberdade1859
  • O Utilitarismo1861
  • A Sujeição das Mulheres1869
  • Autobiografia1873
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